Thursday, July 19, 2012

Sua crença, sua sentença



Quero dividir aqui este vídeo enviado por uma amiga. Não importa se você não acredita em religião, Deus ou seres espirituais. Esta mensagem é sobre como nós humanos podemos mudar a realidade a nossa volta apenas escolhendo as energias que cultivamos em nosso coração.

Sim, é um exercício dificílimo, mas é preciso dar o primeiro passo. Por nós mesmos e pelos outros.

Sua crença, sua sentença. Nunca esqueçamos. 

Bom dia!

@kadydja

Wednesday, July 18, 2012

Coragem é...

Hoje eu resolvi retomar meu blog e pelo menos uma vez por semana pretendo escrever por aqui. Passei muito tempo longe das coisas que me faziam bem, como escrever, ler, ser eu mesma, porque caí no erro de dispensar minha energia em coisas improdutivas. Então, resolvi usar meu blog para algo que valesse a pena. Palavras para mim mesma e para quem mais estiver precisando.

Vou recomeçar com o tema CORAGEM. Algo que não adianta tatuar no corpo, nem espalhar frases motivacionais por aí, se você volta sempre pro seu universo particular e desiste de dar o primeiro passo. Sim, coragem é começar a caminhar no sentido do que está aberto pra você. A vida pode não ser tão bela no momento, mas você já pensou em quanto atraso está acumulando? Hábitos, pessoas, crenças, medos, raivas, mentiras... e por aí vai.

Coragem é romper com o que te faz mal, com gente que suga sua energia e não tem nada a te oferecer. Romper com quem só quer se aproveitar de você, e te usar como amiga, namorada, profissional de conveniência, seja qual for o seu caso. Qual o sentido de insistir em algo que já não está na mesma energia que você? Abra-se! Seja quem você é sem medo do que vão pensar! Ame a você mesma! E rompa com o resto.

Coragem nos pequenos passos, administrando a dor das decepções (sim, porque o mundo vai te decepcionar muito!), vibrando com cada vitória, e erguendo a cabeça sempre que vacilar. Hoje eu descumpri algo e me deixei ser pequena. Não foi a primeira vez, mas foi mais um teste da vida. Talvez ela estivesse me forçando a chutar o pau da barraca pra muita coisa errada que andava acontecendo ou testando a minha capacidade de ser superior às indiferenças do mundo. Não sei. Prefiro acreditar que foi um chamado à coragem. Aquela que a gente empurra lá pra dentro sempre que alma grita: "ei, isso tá errado!! Até quando você vai suportar?"

Mas ao mesmo tempo que a gente se decepciona por ter descido ao mesmo nível dos que nos machucam, a gente também mostra que é capaz de seguir em frente e dizer "opa! Não, aqui você não entra mais!". Coragem também é isso: criar seus limites pessoais e os limites dos outros na sua vida.

Tenha coragem de romper com trabalhos improdutivos, com empregos que não te pagam bem, com trabalhos que não enriquecem sua carreira, com chefes que não te valorizam, com horas e horas em um local no qual você não quer passar o resto da sua vida.

Tenha coragem de se livrar de cativeiros emocionais, criados e alimentados por gente que não te ama, que não te dá o real valor, que te alimenta com migalhas ou que nunca vai ver a mulher que você é porque está ocupada demais com os traumas do passado. Coragem é não negociar sentimentos.

Coragem é ser livre e ter orgulho de insistir nos seus sonhos, de amar as pessoas que estão à sua volta, de cuidar de você e daqueles que fazem o seu mundo mais bacana. Sim, porque tem um monte de gente bacana aí do seu lado, que te faz rir, que não te dispensa, que não quer te passar a perna, que acha você ESSENCIAL e ÚNICA em sua vida.

Coragem é chorar quando for preciso, mas sempre agradecendo pelo que tem hoje. Não importa se falta grana, homem de verdade, um corpo jovem, família, o que for, você tem o que precisa pra ser feliz na simplicidade.

Coragem é aprender a viver sem fugas, é não desistir de lutar diariamente consigo mesmo. Errou, perdeu a cabeça? Não tem problema. Covarde é fugir de si mesmo e dos desafios nossos de cada dia. Um dia você acerta, só basta continuar tentando.

Coragem é saber impor as suas vontades sem menosprezar o sentimento dos outros. Não quer mais, não dá mais? Direito seu, mas nunca esqueça dos pequenos cuidados com a outra pessoa. Afinal, o ditado mais certo do mundo pode acontecer com você: what goes around, comes around (o que vai, volta). E acredite, é a mais pura verdade. ;-)

Coragem é usar o coração e mandar a mente passear. Se a gente sempre conseguisse isso né? Mas normal, mulher maravilha só existe na DC Comics. Um passo de cada vez. Respeite-se, e não tenha medo de dizer o que você quer. Defina isso e persiga seus valores até o fim. A vida vai te testar colocando muita gente que só vai te magoar, mas é pra te fazer melhor. Tão bonito uma mulher que não se vende por pouco, que não compete com quem não merece, que não aceita machismos hipócritas.

Pode parecer bobagem, mas confia que tem sim gente que valoriza mulher de verdade. Chefe compreensivo, homem maduro e bem resolvido, amigos pra toda hora. Coragem é confiar que tudo passa e que o mundo gira. Você pode até estar por baixo hoje, mas eleve seu coração ao que vale a pena e tudo se ajeita. Só não vale prender-se ao que já não te dá importância. Como diria um amigo especial que Deus mandou de longe pra mim e que também precisou de muita coragem nos reveses da vida: antes um fim terrível do que um terror sem fim.

Isso mesmo. Pra tudo.

E vamos seguindo aprendendo, porque todos nós somos imperfeitos, e na teoria tudo é muito bonito, mas a vida acontece nos atos e entreatos. Sigamos!

Beijos e até a próxima!  

@kadydja

Saturday, September 3, 2011

As crianças e os retalhos



Se esse mundo fosse justo, todas as crianças viveriam uma infância digna. Há poucas coisas tão tristes quanto uma criança de olhar adulto. Aquele olhar de quem já viveu os reveses que o tempo traria em seu caminho natural como desafios que a vida impõe a quem cresce e se torna dono do seu próprio destino.

Nenhuma criança deveria sonhar, como quem sonha com o distante, em ter uma bola ou uma boneca. Ou ainda um sapato de festa. Às crianças, deveriam caber apenas os sonhos da descoberta do mundo. O futuro morre um pouco cada vez que uma ser pequeno é privado desse universo lúdico, sempre que é desviado do seu ofício de imaginar, de questionar, de aprender.



Morremos nós, que já não temos tanto futuro e carregamos a bagagem pesada do ontem, toda vez que um criança sofre maus tratos ou é ensinada a julgar ou menosprezar o próximo. Damos adeus a um mundo melhor a cada criança que aprende a não se importar com os animais ou com a natureza.

Todo ser humano forma seu caráter como quem tece uma colcha de retalhos. Cada pedaço simboliza os fatos, as lições, as pessoas que passam por sua vida. São retalhos diversos, costurados pelos sentimentos que nos movem: tristeza, alegria, amor, esperança, decepção, raiva e tantos outros. São retalhos costurados pela fome e pela sede que sentimos, pelo frio ou pelo calor, pelo toque, pelas palavras de amor ou de ódio que recebemos, pela ausência e pela presença, enfim, pelo caminhar da vida.

Quando somos crianças, não somos responsáveis por nossa colcha de retalhos. Aos nossos pais, professores, aos adultos que nos cercam é delegado o ofício de costurá-la. Às crianças apenas o direito de que os nossos primeiros retalhos sejam coloridos e cosidos em linha sólida.

Certa vez conheci uma família: pai, mãe e filho. Eram do interior da Bahia e chegaram à cidade em busca de uma vida melhor. A bagagem era apenas uma sacola, encostada em um canteiro de uma rua qualquer. O qualquer era palavra que se juntava ao lugar onde iriam dormir, ao que iriam comer ou em que iriam trabalhar o sustento. Mas o qualquer não estava no sentimento que unia aquela família. E me chamou a atenção o carinho com que a criança era tratada por seus pais.

Fui conversar com o pai, que me contou toda história de luta e busca pela cidade. Contou que já tinha perdido a esperança, mas que, todos os dias, saía em busca de trabalho. Já não era emprego, já não queria ficar. Queria apenas o dinheiro que os levaria de volta à sua cidade, à sua família. Seu filho tinha três anos, mas toda vez que ele se aproximava, o pai baixava a voz para que ele não ouvisse aquele retalho em branco e preto. Era uma criança feliz, limpa, com o olhar curioso. E estava ali, diante de mim, um homem que entendia a importância de que ela permanecesse assim. Dei o restante do dinheiro para que ele voltasse pra casa.

E fui eu para minha casa pensando que nós adultos justificamos nossas atitudes para com as crianças através dos nossos próprios problemas. Agimos como se tivéssemos a permissão de transferir para eles a nossa frustração, o nosso cansaço, a nossa vida apressada, a nossa falta de dinheiro que explicaria a fome ou a ausência de afeto. Ainda que a pobreza possa explicar uma infância mais simples, ela não pode ser a razão por que muitas crianças crescem desvalidas de humanidade. Não esqueçamos que há uma linha nobre nessa costura, e que não requer dinheiro ou privilégios. Uma linha que nasce com todos nós e que não se finda. E se conseguirmos usá-la para costurar os retalhos, feios ou bonitos, fortes ou rotos, já estaremos fazendo a nossa parte.

Essa linha é o amor.

(Fotos: Crianças de Laranjeiras)

Conversa do tempo

Nem tão a sério
pra não ficar boba.
Nem tão leve
pra não perder o foco.
Nem tão dentro.
Nunca tão dentro.
Liberdade é estar fora.
Por uma hora que seja,
ser livre sem demora.
Assim me disse o tempo
sem vírgulas, cheio de agora:
Vai viver,
depois me conta.
Ou melhor,
depois já não importa.

Kadydja Albuquerque

Sem rima

Voltei a escrever e nem o céu estava estrelado. Voltei sem janela, olhando pra dentro.
Agora escrevo sem rima. Coisa chata é procurar pares de palavras no passado, nesta vida solitária. Mais chato ainda é este drama que não me deixa fluir, tampouco pensar...
sobre céus e janelas,
sobre pares, vidas e chatices.
São versos que ninguém um dia vai usar como presente
para alegrar uma pobre alma carente!
Olha a rima! Deixe-me por hoje, por favor. Quero versar estranha como sou. Como bem sei ser...
com minhas cortinas sem estrelas,
e nuvens,
e chatices,
e palavras que nunca combinem.

Kadydja Albuquerque (03 de agosto de 2011)