
Hoje eu tomei coragem para escrever sobre a minha experiência no Just a Fest, o evento que reuniu Radiohead, Los Hermanos e Kraftwerk em uma noite apoteótica. Na sexta peguei minhas férias e me piquei pro Rio de Janeiro para encontrar Fernanda. Cheguei no meio do dia na cidade maravilhosa e minha recepção em Laranjeiras não poderia ter sido mais autêntica. Enquanto caminhávamos pela rua arborizada da General Glicério, um rapaz abaixou o vidro do carro e latiu. Sim, simplesmente latiu. Olhamos uma para outra e, satisfeitas, sorrimos. Fomos chamadas de cachorras por um carioca marrento, e assim nos sentimos integradas.
Bem, mas o que interessa é que saímos cedo rumo a Apoteose. O metrô já foi uma experiência pitoresca. Sentido Zona Norte, final de tarde, toda a baixada fluminense voltando para casa depois de um dia de trabalho, e vocês precisavam ver os olhinhos miúdos de Fernanda admirando aquele vagão movimentadíssimo. Graças a Deus saímos intactas, pouparam-nos de dedadas ou qualquer outro contato. Felicíssimas por chegarmos na estação Praça Onze, rumamos em direção à Apoteose. Turistas, fomos seguindo o fluxo e uma fila se formava a uns 500 metros da entrada. Naturalmente, entramos nela... e ao virar a curva descobrimos que a fila dava para a entrada que não era entrada. Simplesmente um espaço antes dos portões onde as pessoas estavam aguardando a liberação da verdadeira entrada. Ou seja, fila pra enganar otário. Rimos, e abrimos os trabalhos.

E ali ficamos observando quem chegava e fazendo as comparações inevitáveis entre a noite cultural carioca e a aracajuana. Descobri que os óculos com aros coloridos, estilo anos 80, voltaram à moda. Vi passar umas 37 pessoas com eles, e usando a Teoria da Proporção Adequada, fiz uma projeção e constatei que no universo de 30 mil pessoas, pelo menos 4.213 estariam usando aqueles óculos. É gente, tava sem ter o que fazer mesmo entre uma foto e outra.

Quando abriram os portões, coincidentemente nos encontramos com três aracajuanos: os hermanos Paula e André Dantas e a querida Kaká. Uma coincidência que nos rendeu ótimas fotos e incríveis empadas no final da noite. Antes disso, nos posicionamos para assistir ao show de abertura... Los Hermanos. Fernanda teve taquicardia, Kaká estava arrepiada, Paula falava palavrões, eu gritava “Amarante te aaamo!” e André permaneceu calmo. O show foi perfeito. Cantei todas as músicas com um nó na garganta, mas quando chegou a hora de O Vento, eu desatei o nó em lágrimas.

Mas eu chorava de alegria por poder ver novamente uma banda que admiro e, ainda mais no Rio de Janeiro, cenário da minha descoberta do Los Hermanos e de suas canções que trilharam tantos momentos meus naquela época. Não cantaram Quem Sabe e nem 300 outras, mas fizeram uma boa seleção. Terminaram com A Flor e sem direito a bis. Ora, eles não eram a estrela da noite, pelo menos para os organizadores do Just a Fest, porque muita gente estava lá pra checar esse retorno.

Antes do show do Kraftwerk, encontramos mais uma galera de Aracaju: Adelaide, Clínio, Patrícia e o namorado dela. Mais fotos, mais skolls, mais risadas e continuávamos empolgados. O Kraft mandou bem, não conhecia a banda, mas o som era legal e eu passei metade do show na fila do banheiro organizando uma competição. Estipulamos 30 segundos para cada necessitada. Tínhamos mulheres de vários estados: RJ, MG, CE, SE, SP e lá vai... eu passei uns 20 segundos no banheiro, e nossa equipe Sergipe estava entre as favoritas, mas Fernanda fez o favor de demorar e saímos de lá com um quarto lugar. Fiquei tão desapontada que pensei em parar de beber, mas já tinha comprado fichas suficientes para assistir o show do Kiss na próxima semana. Então, vida que segue...

Quando começou o Radiohead eu não sabia se fechava os olhos e cantava as músicas ou se olhava pro palco. Então fui tirar fotos. As luzes eram sensacionais, as imagens no telão também e o Tom Yorke... ah, o Tom Yorke. Fiquei esperando pela 10º música (segundo setlist do show no México), mas ela virou 5ª e eu quase desmaiei na hora. No surprises, please. Vi que em São Paulo eles cantaram Fake Plastic Trees... e eu não me lembro dela. Provavelmente, não cantaram no Rio. Companheiros de show, me recordem. Mas valeu cada canção e o final pagou R$ 87 do ingresso: Creep. So fucking special...
E foi isso. Poderia ter sido um pouquinho melhor se eu tivesse me batido com o Santoro na platéia (me disseram que ele estava lá), mas “é de Deus tudo aquilo que não se pode ver”... então me conformo. Fiquei um pouco balançada quando soube que o Oasis vai se apresentar no Rio dia 07 de maio. Banda querida da minha quase pós adolescência, primeiros períodos da UFS, mas vou ficar quietinha. Espero pelo Coldplay com toda fé do mundo.
Bem, cansei, ainda tenho um restinho de férias e vou pra praia. Au revoir!